Não há como concordar com o argumento de que somente um aumento substancial da produção agrícola resolverá o problema da fome no mundo bem como somente as agrocompanhias de porte estão aptas a produzirem mais alimentos.
Um número cada vez menor de pessoas adquirem cada vez mais o controle da terra. Fazendeiros empresariais deixam de cultivar alimentos de acordo com as necessidades locais passando para as safras mais lucrativas destinadas à exportação.
A questão não é a redistribuição de alimentos e sim do controle sobre os recursos agrícolas. Como enfatizaram Moore Lappé e Joseph Collins, fundadores do Institute for Food and Development Policy, em San Francisco, que as culturas industriais só sejam plantadas depois de satisfeitas as necessidades básicas das populações, e que o comércio externo de produtos agrícolas seja considerado uma extensão das necessidades internas, em vez de ser determinado estritamente pela demanda do mercado externo.
Aqueles que controlam os recursos para a produção de alimentos além de induzirem novos modelos alimentares decidem o que irá ser cultivado e quem irá comer.
O problema da fome no mundo não é em absoluto, um problema técnico: é sim, social e político.
© vilma machado